Ótimo texto para refletir sobre o seu lado profissional. Muitas vezes me deparo com pessoas que querem mais, mas tem medo de arriscar. Se você não arriscar, quem arriscará por você? Claro, não estou dizendo para jogar tudo para o alto e apostar todas as suas fichas, mas pense no que você deseja, e arrisque se não quiser passar a vida na mesma e esperar a sorte bater em tua porta.
Este artigo foi editado pela revista Seleções de Reader’s Digest originalmente em 1958.
Tema: Motivação e empreendorismo.
Há quinze anos, era eu um jovem escritor de precários meios de subsistência, e, absorvido pela angústia de minha situação crítica, fui ter a um parque solitário. Fazia então quatro anos que estava noivo, mas não tinha coragem de casar. Além disso, desde muito que eu e minha noiva acariciávamos a idéia de viver, escrevendo, em Paris, Roma, Viena, Londres, em qualquer parte.
Mas como ir para tão longe de tudo que nos era familiar e seguro, sem a certeza de algum
dinheiro de vez em quando? Impossível. Foi quando levantei o olhar e vi um esquilo pular de uma grande árvore para outra. Pareceu-me que ele se lançava para um galho tão distanciado do seu alcance, que o salto seria um suicídio.
De fato, errou o pulo, mas agarrou-se, ileso e tranqüilo, a outro ramo, alguns metros mais abaixo.
Depois, subiu para seu objetivo inicial. Um velho, que ali estava sentado num banco, disse-me: - É engraçado! Já vi centenas de esquilos saltarem desse jeito, especialmente quando há cães à volta e eles não podem descer até o chão. Muitos erram o pulo, mas nunca se machucam. Sorriu e continuou: - É isso. Se não pretendem passar a vida na mesma árvore, eles têm de arriscar-se. Pensei então comigo: O esquilo arriscar-se.Terei eu a mesma fibra?
Em duas semanas estávamos casados, tínhamos arranjado o dinheiro necessário para a passagem, e atravessamos o Atlântico – saltando no espaço, de galho em galho, sem saber ao certo onde iríamos cair. Comecei a escrever duas vezes mais depressa e mais assiduamente do que até então. Três anos passados, quando regressamos a New York, um amigo insistiu comigo para pronunciar uma palestra sobre minha vida de escritor no estrangeiro. Afiançou-me que me conseguiria boa remuneração. Abanei negativamente a cabeça, respondendo-lhe que nunca havia falado em público e que estava convencido de que desmaiaria ao defrontar o auditório.
Minha mulher comentou: - Era uma vez um esquilo, lembra-se? Eu sabia o que ela queria dizer: “Pule, arrisque; experimentando você não se machucará”. Mudei de idéia, sem hesitar, e depois de poucos meses tinha feito vinte conferências, sobrevivido sem cicatrizes, e até gostado da novidade.
Desde então, sempre que tenho de escolher entre arriscar-me num empreendimento diferente ou ficar dependurado no ar, varam-me a mente estas cinco palavras: Era uma vez um esquilo. E parece que estou novamente a ouvir o velho: se não pretenderem passar a vida na mesma árvore, eles têm de arriscar-se. Tenho pulado sempre e sempre. E, a pular, venho aprendendo por que é que os esquilos o fazem: é divertido.
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